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Argentina e Itália quebraram tabus, mas com um futebol bem diferente entre as duas

A Argentina, depois de 28 anos sem um título no futebol profissional de seleções, voltou a levantar uma taça, em pleno Maracanã, diante do Brasil, na conquista da Copa América 2021. A Itália, tinha um jejum ainda maior para ser batido: não vencia a Eurocopa fazia 53 anos. Derrubou esse tabu no último domingo, ao vencer a Inglaterra em seus “domínios”, no estádio de Wembley, após empatar em 1 a 1 no tempo normal e prorrogação, ese consagrar nos pênaltis por 3 a 2.

Apesar das duas seleções terem festejado nesse final de semana, terem derrubado dois adversários tradicionais em suas respectivas casas, o futebol apresentado por Itália e Argentina foram bem diferentes.

Os italianos jogam como o Brasil de antigamente. Atenção para o antigamente, viu? A Itália gosta de ficar com a bola e trocar passes no meio campo. Tenta achar uma brecha na defesa adversária. Fez isso na partida de Wembley ontem, e durante a Eurocopa toda. Acabou aquela história de que a seleção azzurra depende da defesa, e joga de maneira retroativa. A seleção de Roberto Mancini joga bonito e faz gols. Teve média de quase dois tentos por jogo.

Quero dar meu destaque ao volante/meia Jorginho, que muitos não sabem, mas jogou nas categorias de base do Brusque, quando havia uma parceria com o Guabiruba Calcio. Depois foi para a Itália, em 2007, para jogar no Verona. O catarinense, hoje no Chelsea, se naturalizou italiano por atuar desde muito jovem na Itália. Ele teve muito destaque no Napoli, onde começou a ser convocado para a esquadra principal dos italianos. Jorginho fez uma excelente Euro. Foi o cara do meio-campo.

Agora vamos pro lado feio da coisa, a Argentina. Essa seleção joga de maneira enjoada. Fica lá atrás, e joga no contra-ataque. Quando precisa criar alguma jogada, esquece, dali é difícil sair algo diferente.

A seleção albiceleste depende muito da genialidade de Messi, que nem sempre consegue ter o desempenho esperado por sempre ser o alvo das marcações adversárias. No sábado, fez o gol com Di María, e depois continuou abdicando de jogar bola, mesmo tendo um ataque, considerado por muitos, como um dos mais recheados do futebol mundial. Claro, cada um na sua estratégia, mas essa Argentina tinha capacidade de jogar muito mais bola que isso.Acho que o Scaloni, técnico, tem muito medo de inventar pra não perder o emprego. Mas é difícil imaginar alguém assumindo essa barca agora. Ele poderia inventar mais. Sair da mesmice.

O que eu tiro de reflexo dessas duas finais que assisti no final de semana, é que os sul-americanos estão ferrados, pra não dizer outra coisa. Tem seleção europeia que joga feio? Tem, mas estão mais bem preparados que nós por aqui. A competitividade é diferente. O futebol também. O Brasil que antes encantava, hoje quem faz isso é a Itália. A Argentina que antes encarava todos de igual pra igual, hoje é uma incerteza. O Uruguai, coitado, luta para continuar tendo relevância no futebol da América do Sul.

Quero estar errado, mas se continuar assim, a Copa do Mundo de 2022, muito provavelmente, terá mais uma vez um europeu erguendo a taça mais desejada do futebol mundial.

 

Texto e opinião: Anthony Marcel – acadêmico de jornalismo

E-mail: anthonymarcel2@hotmail.com

 

 

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